O agro brasileiro precisa se preparar para o imposto verde da UE
- Amazon Connection Carbon

- 6 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Desde 2023, a União Europeia implementa o mecanismo conhecido como CBAM — Carbon Border Adjustment Mechanism — com o objetivo de atribuir preço ao carbono incorporado em produtos importados e evitar a chamada “fuga de carbono” (emissões deslocadas a países com padrões menos rígidos). A partir de 2026, a exigência será integral: importadores deverão apresentar certificados de carbono ou pagar pela pegada de CO₂ embutida nas mercadorias.
O que é o CBAM e como funciona
O CBAM foi aprovado em 2023 como parte do pacote regulatório da UE para acelerar a transição à neutralidade climática. A proposta exige que bens importados — inicialmente de setores intensivos em carbono, como aço, alumínio, cimento, fertilizantes, energia e outros — tragam relatórios de emissões.
Na fase transitória (2023–2025), os importadores devem reportar os dados de emissões; a partir de 2026, assumem obrigações financeiras: será necessário adquirir certificados que correspondam às toneladas de CO₂ incorporadas nos produtos importados — os chamados “CBAM certificates”.
O mecanismo busca equiparar os custos de carbono entre produtos fabricados dentro da UE e os importados, nivelando a concorrência e incentivando produtores de fora do bloco a reduzir suas emissões.
Impactos previstos
Embora o CBAM, por ora, tenha como foco produtos de alta intensidade de carbono, especialistas já alertam que a estrutura pode evoluir e alcançar setores agropecuários no futuro — especialmente aqueles com insumos intensivos em energia ou fertilizantes.
Para o agronegócio brasileiro, exportador relevante ao mercado europeu, isso representa uma mudança estratégica. Mesmo exportações tradicionais poderão enfrentar exigências adicionais de rastreabilidade da pegada de carbono — e eventual custo extra se o processo produtivo for intensivo em emissões.
Um relatório da indústria brasileira aponta que, no caso dos setores já sob foco (como siderurgia, fertilizantes e similares), o CBAM poderia atingir valores expressivos: o impacto sobre as exportações brasileiras de bens intensivos em energia foi estimado em centenas de milhões de dólares.
O que os produtores devem fazer agora
Diante deste cenário, empresas e produtores rurais devem considerar:
Mapear e mensurar a pegada de carbono de suas cadeias produtivas — desde o uso de insumos até logística e transformação;
Adotar práticas de produção de baixo carbono, investir em eficiência energética, manejo sustentável, uso consciente de fertilizantes e técnicas agrícolas regenerativas;
Compensar emissões remanescentes por meio de créditos de carbono certificados, sempre que compatível com padrões robustos de integridade e rastreabilidade;
Preparar documentação e sistemas de rastreio para atender exigências de mercados como o europeu, reduzindo risco de barreiras comerciais.
Por que o CBAM representa um divisor de águas
O CBAM reflete uma mudança de paradigma: não basta competir por preço e volume, será necessário competir por sustentabilidade e pegada ambiental. Para o Brasil, país com grande participação no comércio global de commodities e produtos agrícolas, a adequação a essas regras pode ser determinante para manter a competitividade internacional.
Além disso, as exigências de transparência e emissões incorporadas podem impulsionar uma transformação estrutural nas cadeias produtivas: mais eficiência, menor uso de carbono e maior valorização da produção limpa.
Para quem já produz ou planeja produzir com menor impacto ambiental, o CBAM pode se tornar uma oportunidade — não apenas um obstáculo. Em mercados exigentes, sustentabilidade deixa de ser diferencial para ser requisito.
Fontes
“CBAM: o que você precisa saber sobre o mecanismo europeu de ajuste de carbono na fronteira”, Portal da Indústria, 2024. Agencia de Notícias CNI
“CBAM: como funciona o mecanismo de taxação de carbono para produtos importados pela UE”, XPI, 2024. XP Investimentos
“CBAM: o que é, como vai funcionar e impactos no Brasil”, Totvs Blog, 2024. TOTVS
“How new global climate regulations could affect Brazilian agricultural trade”, Agro in Data, 2025.

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