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  • Foto do escritorLuciane Brum

Seca fora do normal na Amazônia: El Niño e aquecimento do Atlântico Norte em foco.

A prolongada e atípica estiagem nos rios da Amazônia, que impacta milhares de moradores, é resultado da combinação de dois fatores complexos: o fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento do oceano Pacífico, e a distribuição de calor do Atlântico Norte. Especialistas alertam que a situação não é animadora, prevendo mais seca nos próximos meses e um atraso no início da estação chuvosa, inicialmente esperada para outubro.



O estado do Amazonas, em particular, enfrenta desafios significativos, com a Defesa Civil prevendo uma seca recorde. Dos 62 municípios, 17 já estão em situação de emergência e 38 em alerta. Para lidar com as adversidades, o governo federal em parceria com o local estabeleceu uma força-tarefa, focando em questões como a navegação prejudicada pelas áreas rasas dos rios.


A situação é mais grave na Amazônia Ocidental, abrangendo Acre, Rondônia, Roraima e Amazonas. Em um cenário onde setembro geralmente marca o auge da seca na Bacia Amazônica, meteorologistas destacam a excepcionalidade da situação neste ano.


Especialistas apontam que o El Niño e o aquecimento do Atlântico Tropical Norte, embora afetem diferentes regiões da Amazônia, convergem para um resultado similar: a redução das chuvas na área. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) explica que, apesar das diferenças geográficas, ambos os fenômenos contribuem para o mesmo mecanismo de ação, diminuindo a precipitação.


Renato Senna, meteorologista do Inpa, destaca a preocupação com a combinação desses dois eventos, referindo-se a um período semelhante entre 2009 e 2010, que testemunhou a maior seca registrada na bacia do rio Negro em 120 anos.


O El Niño, ao aumentar a temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial, modifica padrões de ventos, umidade, temperatura e chuvas, resultando em menos precipitação e aumento de temperatura em partes das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Simultaneamente, o aquecimento do Atlântico Tropical Norte inibe a formação de nuvens, reduzindo a quantidade de chuvas na Amazônia.


O impacto desses fenômenos é agravado pela rápida diminuição dos níveis dos rios na região, dificultando a navegação de embarcações e causando problemas no abastecimento de água e na oferta de alimentos. Além do impacto direto na população, a estiagem também resulta na morte de peixes, botos e outros animais.


Para os próximos meses, a previsão é de um fim de ano mais seco na região Norte do Brasil, de acordo com órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destaca a gravidade dos eventos climáticos extremos, apontando para a urgência de abordagens e estratégias sustentáveis para enfrentar as mudanças climáticas.


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FONTE: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2023/09/28/seca-fora-do-normal-em-rios-da-amazonia-tem-relacao-com-el-nino-e-aquecimento-do-atlantico-norte-entenda.ghtml

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