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Países lançam coalizão global para integrar mercados regulados de carbono

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    Amazon Connection Carbon
  • há 15 minutos
  • 3 min de leitura

Em uma das principais reviravoltas da COP30, realizada em Belém em novembro de 2025, foi formalmente lançada a Coalizão Aberta de Mercados Regulados de Carbono — um esforço diplomático, liderado pelo Brasil, para unir e harmonizar sistemas regulados de comércio de carbono entre países. A iniciativa já conta com a adesão de 18 nações, entre elas potências como China, União Europeia, Reino Unido, Canadá e México — e se apresenta como um marco para a padronização do mercado regulado de carbono global.


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A ideia da coalizão foi apresentada oficialmente no início da COP30 pelo governo brasileiro, por meio do Ministério da Fazenda, como parte de uma agenda de finanças sustentáveis e governança climática nacional. A proposta visa estabelecer um “foro internacional voluntário” que aproxime diferentes regimes de precificação de carbono — sejam mercados de cap-and-trade, impostos sobre carbono ou sistemas de comércio de emissões existentes — sob um conjunto comum de regras.


Segundo o coordenador-geral de Finanças Sustentáveis do ministério, a coalizão chega à COP30 mais forte graças ao desenho nacional promovido desde 2023, incluindo a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e a nova secretaria de mercado de carbono. Isso confere legitimidade e experiência doméstica à proposta.


A adesão à coalizão é voluntária, aberta a países que desejem participar de modo colaborativo. Os objetivos principais incluem:


  • Harmonização de regras para Monitoramento, Relato e Verificação (MRV).

  • Contabilidade comum de emissões e créditos, para permitir interoperabilidade entre diferentes sistemas regulados.

  • Definição de melhores práticas de “offset” (compensação de emissões), umificando padrões para créditos de carbono regulados.


O Brasil, como idealizador, coordenará a coalizão em seu primeiro momento, mas o compromisso é institucional, com governança compartilhada e espaço para novos membros no futuro.


Quem já aderiu

Além do Brasil, fazem parte da coalizão:

  • China

  • União Europeia

  • Reino Unido

  • Canadá

  • Chile

  • Alemanha

  • México

  • Armênia

  • Zâmbia

  • França

  • Ruanda

  • Andorra

  • Guiné

  • Nova Zelândia

  • Mônaco

  • Singapura

  • Noruega


Somados, esses países representam uma parcela significativa das emissões globais — o que confere à coalizão escala e peso político suficientes para influenciar o comércio internacional de carbono e políticas climáticas.


Impactos esperados

Especialistas envolvidos estimam que a coalizão pode — a médio prazo — gerar:

  • Liquidez e previsibilidade para mercados de carbono regulados, incentivando investimentos em projetos de baixo carbono e em tecnologias limpas.

  • Maior integridade e credibilidade dos créditos e mecanismos de offset, por meio de padrões MRV robustos e harmonizados.

  • Estímulo à descarbonização estruturada: com padrões claros, indústrias e países podem planejar transições consistentes, reduzindo emissões de forma ordenada e justa.

  • Cooperação internacional e transferência de tecnologia: troca de experiências entre países que já operam mercados regulados, facilitando a adoção de melhores práticas e a adaptação de economias emergentes.


Por que a coalizão é valiosa — e por que chama atenção

Em um momento em que negociações climáticas internacionais enfrentam estagnação — sobretudo nos debates sobre combustíveis fósseis — a iniciativa liderada pelo Brasil representa uma aposta pragmática: usar mecanismos de mercado e regulação para avançar em descarbonização, sem depender exclusivamente de acordos multilaterais complexos. Para economias emergentes, a coalizão oferece uma via possível de desenvolvimento sustentável alinhado ao mercado global.


A harmonia regulatória global para carbono também pode reduzir tensões comerciais em torno de mecanismos como ajustes de fronteira (carbon border adjustments), padronizando a precificação de emissões e evitando discriminações econômicas.

Por fim, a coalizão pode ser vista como um mecanismo de governança climática inovador: em vez de esperar decisões de consenso universal, aposta na adesão voluntária, cooperação multilateral e harmonização técnica — com potencial de escala e impacto real.


Fontes:

  • Coalizão de mercado de carbono recebe adesão de 18 países na COP30. COP30 Brasil, 15 nov 2025. (COP30 Brasil)

  • Proposta de criação da Coalizão Aberta para Mercados Regulados de Carbono chega fortalecida à COP 30. Ministério da Fazenda, 05 nov 2025. (Serviços e Informações do Brasil)

  • Brasil coloca de pé coalizão para integrar mercados de carbono. Capital Reset, 15 nov 2025. (Reset)

  • Coalizão mundial de mercados carbono proposta pelo Brasil tem adesão de onze países. COP30 Brasil, 07 nov 2025. (COP30 Brasil)

  • Saiba quais países aderiram à Coalizão: cobertura da EBC Rádio Gov, 17 nov 2025. (rádio gov)

  • Análise do potencial e funcionamento da coalizão: JOTA — diálogos da COP30, 2025. (JOTA Jornalismo)

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