Países lançam coalizão global para integrar mercados regulados de carbono
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Em uma das principais reviravoltas da COP30, realizada em Belém em novembro de 2025, foi formalmente lançada a Coalizão Aberta de Mercados Regulados de Carbono — um esforço diplomático, liderado pelo Brasil, para unir e harmonizar sistemas regulados de comércio de carbono entre países. A iniciativa já conta com a adesão de 18 nações, entre elas potências como China, União Europeia, Reino Unido, Canadá e México — e se apresenta como um marco para a padronização do mercado regulado de carbono global.

A ideia da coalizão foi apresentada oficialmente no início da COP30 pelo governo brasileiro, por meio do Ministério da Fazenda, como parte de uma agenda de finanças sustentáveis e governança climática nacional. A proposta visa estabelecer um “foro internacional voluntário” que aproxime diferentes regimes de precificação de carbono — sejam mercados de cap-and-trade, impostos sobre carbono ou sistemas de comércio de emissões existentes — sob um conjunto comum de regras.
Segundo o coordenador-geral de Finanças Sustentáveis do ministério, a coalizão chega à COP30 mais forte graças ao desenho nacional promovido desde 2023, incluindo a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e a nova secretaria de mercado de carbono. Isso confere legitimidade e experiência doméstica à proposta.
A adesão à coalizão é voluntária, aberta a países que desejem participar de modo colaborativo. Os objetivos principais incluem:
Harmonização de regras para Monitoramento, Relato e Verificação (MRV).
Contabilidade comum de emissões e créditos, para permitir interoperabilidade entre diferentes sistemas regulados.
Definição de melhores práticas de “offset” (compensação de emissões), umificando padrões para créditos de carbono regulados.
O Brasil, como idealizador, coordenará a coalizão em seu primeiro momento, mas o compromisso é institucional, com governança compartilhada e espaço para novos membros no futuro.
Quem já aderiu
Além do Brasil, fazem parte da coalizão:
China
União Europeia
Reino Unido
Canadá
Chile
Alemanha
México
Armênia
Zâmbia
França
Ruanda
Andorra
Guiné
Nova Zelândia
Mônaco
Singapura
Noruega
Somados, esses países representam uma parcela significativa das emissões globais — o que confere à coalizão escala e peso político suficientes para influenciar o comércio internacional de carbono e políticas climáticas.
Impactos esperados
Especialistas envolvidos estimam que a coalizão pode — a médio prazo — gerar:
Liquidez e previsibilidade para mercados de carbono regulados, incentivando investimentos em projetos de baixo carbono e em tecnologias limpas.
Maior integridade e credibilidade dos créditos e mecanismos de offset, por meio de padrões MRV robustos e harmonizados.
Estímulo à descarbonização estruturada: com padrões claros, indústrias e países podem planejar transições consistentes, reduzindo emissões de forma ordenada e justa.
Cooperação internacional e transferência de tecnologia: troca de experiências entre países que já operam mercados regulados, facilitando a adoção de melhores práticas e a adaptação de economias emergentes.
Por que a coalizão é valiosa — e por que chama atenção
Em um momento em que negociações climáticas internacionais enfrentam estagnação — sobretudo nos debates sobre combustíveis fósseis — a iniciativa liderada pelo Brasil representa uma aposta pragmática: usar mecanismos de mercado e regulação para avançar em descarbonização, sem depender exclusivamente de acordos multilaterais complexos. Para economias emergentes, a coalizão oferece uma via possível de desenvolvimento sustentável alinhado ao mercado global.
A harmonia regulatória global para carbono também pode reduzir tensões comerciais em torno de mecanismos como ajustes de fronteira (carbon border adjustments), padronizando a precificação de emissões e evitando discriminações econômicas.
Por fim, a coalizão pode ser vista como um mecanismo de governança climática inovador: em vez de esperar decisões de consenso universal, aposta na adesão voluntária, cooperação multilateral e harmonização técnica — com potencial de escala e impacto real.
Fontes:
Coalizão de mercado de carbono recebe adesão de 18 países na COP30. COP30 Brasil, 15 nov 2025. (COP30 Brasil)
Proposta de criação da Coalizão Aberta para Mercados Regulados de Carbono chega fortalecida à COP 30. Ministério da Fazenda, 05 nov 2025. (Serviços e Informações do Brasil)
Brasil coloca de pé coalizão para integrar mercados de carbono. Capital Reset, 15 nov 2025. (Reset)
Coalizão mundial de mercados carbono proposta pelo Brasil tem adesão de onze países. COP30 Brasil, 07 nov 2025. (COP30 Brasil)
Saiba quais países aderiram à Coalizão: cobertura da EBC Rádio Gov, 17 nov 2025. (rádio gov)
Análise do potencial e funcionamento da coalizão: JOTA — diálogos da COP30, 2025. (JOTA Jornalismo)



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